Augusto N. Sampaio Angelim
Porque todo homem deve ter um lugar aonde ir (Dostoiévski)
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EU QUASE QUE NÃO SEI DE NADA, MAS DESCONFIO DE MUITA COISA


               Nos últimos anos tem acontecido tanta calamidade no mundo que fico desconfiando das causas desses desastres naturais. Cheias incríveis, terremotos e tsunamis que deixam um rastro enorme de destruição e mortes. No caso do terremoto do Haiti pode-se afirmar, sem exagero, que o pouco que havia em sua capital foi destruído e a recuperação talvez demore décadas. No Japão, se não bastasse a tragédia provocada pelo terremoto e pelo tsunami que lhe seguiu, paira a incerteza e o medo sobre os alcances e os efeitos da radiação nuclear que sai dos escombros da usina de Fukushima. Uma televisão divulgou hoje que o governo japonês calcula que prejuízos da ordem de US$ 310 bilhões de dólares. Não sei nem o quanto isto significa, mas desconfio que possa ser bem maior o volume de dinheiro para que o povo do sol nascente se recupere dessa hecatombe.
           
            No Brasil, nos últimos anos temos assistido a repetidas cenas de destruição, morte e desespero nas encostas dos morros da região sudeste. Os grandes alagamentos tem se tornado uma rotina na Cidade de São Paulo e os Estados do Paraná e Santa Catarina vem sendo castigados com chuvas e temporais. Existem outros casos de outros países e regiões do mundo que poderiam fazer parte do mesmo catalogo de desgraças.
 
            O que tem causado tudo isto? Especialistas, curiosos e palpiteiros de todos os recantos do mundo opinam e, de um modo geral, se aponta a ação predatória do homem como um fator importante para tudo isto ou, pelo menos, uma razão para agravar o resultado de terremotos e tsunamis.
 
            Não sei nada, ou melhor, eu quase não sei de nada, como diria Riobaldo o protagonista e, ao mesmo tempo, narrador de Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa. Riobaldo, uma mistura de vaqueiro e jagunço, mas, essencialmente, matuto e filosofo, tem um modo todo peculiar de entender o mundo.  Riobaldo se angustiava diante da existência do Diabo, mas terminou por fazer um pacto com o demônio, para poder se sobressair; ao final da trama, concluiu que: “O diabo não há! É o que eu digo, se for...Existe é homem humano”, concluindo que o mal quem faz mesmo somos nós. Quando aconteceu o grande terremoto de Lisboa, no século XVIII, num dia “de finados”, em que as igrejas lisboetas estavam apinhadas de fiéis e morreram quase cem mil pessoas, se travaram inúmeras discussões as respeitos das causas religiosas daquela grande tragédia. Nos dias de hoje, há quem veja nessas catástrofes a mão de Deus, ou do Diabo.
 
            Eu, quase que não sei de nada, mas, como Riobaldo, desconfio de muita coisa e acredito que com tanta intervenção humana nas profundezas da terra (explosões de bombas, minas, poços de petróleo e outras agressões) talvez a humanidade esteja dando grandes passos para destruição de nossa casa.
 
 
 
 
Augusto Sampaio Angelim
Enviado por Augusto Sampaio Angelim em 23/03/2011
Alterado em 23/03/2011
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